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title: Testes Nucleares dos Anos 60 Deixam Resíduos no Interior de SP
published: 2025-10-29T03:24:00.000Z
category: Ciência 
url: https://pertodevoce.me/ciencia/testes-nucleares-dos-anos-60-deixam-residuos-no-interior-de-sp
tags: Testes Nucleares, Impacto Ambiental, Contaminação Radioativa, Pesquisa Científica, Década de 60
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# Testes Nucleares dos Anos 60 Deixam Resíduos no Interior de SP

**Summary:** Pesquisa da USP revela impacto de testes nucleares dos anos 60 no interior de São Paulo.

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## Pesquisa da USP Revela Resíduos de Testes Nucleares no Interior de São Paulo

Uma pesquisa de mestrado conduzida na área de Geografia Física pela **Universidade de São Paulo (USP)** encontrou vestígios de radioatividade em ambientes pouco alterados pela ação humana no interior paulista. A investigação revelou indícios de testes nucleares realizados no início dos anos 1960, destacando a presença de materiais radioativos que podem ser considerados marcadores da ação humana em nível global.

### O Antropoceno e a Radioatividade

Os indícios de radioatividade são vistos pela comunidade científica como um marcador do período denominado *Antropoceno*, em que a principal força de alteração dos ambientes naturais é a atividade humana. A radioatividade, resultado de reatores e armas nucleares, pode ser medida muitos anos após sua disseminação, servindo como referência para entender o impacto da espécie humana no planeta.

### Testes Nucleares dos Anos 60

Entre 1953 e 1962, potências como os Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França realizaram a maioria dos cerca de 2 mil testes nucleares registrados. Em 1962, ocorreram mais de 120 testes, enquanto em 1958 foram mais de 100. As bombas testadas, como a *Tsar Bomb* da União Soviética, eram até 3 mil vezes mais poderosas que a bomba de Hiroshima.

### Fallout e sua Dispersão

Cada explosão nuclear gera ondas de choque, calor e espalha material radioativo conhecido como *Fallout*, ou chuva radioativa. Essa dispersão ocorre principalmente perto dos locais de teste, mas fatores como o vento podem transportá-la a grandes distâncias. Apesar de os testes se concentrarem no Hemisfério Norte, parte do material radioativo chegou ao Brasil, como evidenciado por medições no litoral da Região Sudeste e no interior paulista, particularmente entre as cidades de Eldorado e Sete Barras.

### Impacto e Continuidade da Pesquisa

O material radioativo encontrado não possui concentração suficiente para representar risco à saúde, mas oferece um panorama histórico importante. Em 1963, após a pressão pública e eventos como a Crise dos Mísseis de Cuba, o Tratado de Proibição Parcial de Testes (PTBT) foi assinado, restringindo os testes nucleares.
Grupos de geofísicos continuam a investigar a presença de marcadores como o Carbono 14, os radioisótopos de Plutônio e o **Césio-137** em áreas com baixa intervenção humana. Na USP, o Rio Ribeira foi escolhido como foco de estudo devido à sua preservação e conhecimento prévio pela equipe de geofísica da universidade.

> Queríamos estudar a ocorrência de marcadores do Antropoceno em um sistema natural com alto grau de preservação de intervenções humanas", explicou Breno Rodrigues, pesquisador líder do estudo, à Agência Brasil.

A pesquisa, supervisionada pela professora Cleide Rodrigues, destacou o comportamento dos rios meândricos, como o Ribeira, na acumulação e preservação de traços de Césio-137. Este radionuclídeo, com meia-vida de 30 anos, continua presente nos sedimentos do rio, refletindo o fallout atmosférico da Guerra Fria.

> A determinação da atividade do radionuclídeo ajuda a indicar a idade e origem específica do depósito na área", afirmou Rodrigues.

A pesquisa segue em andamento, com Breno Rodrigues agora como doutorando na área de Geografia. Sua dissertação será publicada em breve, enquanto suas participações em congressos fornecem mais insights sobre o estudo técnico.

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