BRB garante estabilidade financeira e descarta intervenção, estudando venda de ativos do Banco Master
Banco de Brasília afirma ter suficiência patrimonial, descarta intervenção e analisa venda de ativos recuperados do Banco Master para reforçar sua saúde financeira.
O BRB assegura que não há risco de intervenção, possui suficiente patrimônio e considera vender ativos do Banco Master. Investigações e auditorias estão em andamento para apurar prejuízos.

BRB Afirma Estabilidade e Estuda Venda de Ativos em Meio a Crise do Banco Master
Introdução: Garantia de Solidez e Esforço de Reforço Patrimonial
Na manhã desta segunda-feira, 19 de janeiro, o Banco de Brasília (BRB) divulgou uma nota oficial garantindo que não há risco de intervenção por parte das autoridades financeiras. A instituição financeira, controlada pelo governo do Distrito Federal, afirmou possuir "suficiência patrimonial" suficiente para suportar os efeitos das investigações envolvendo o seu parceiro e acionista, o Banco Master.
A instituição também revelou que está avaliando estratégias para reforçar sua posição financeira, incluindo a possibilidade de vender ativos recuperados relacionados ao Banco Master, numa tentativa de mitigar os impactos econômicos da crise e evitar qualquer risco de instabilidade.
Contexto: Rumores e Medidas de Precaução
A declaração do BRB ocorre em um momento de especulações na imprensa que sugeriam uma eventual necessidade de aporte imediato de capital na instituição. No entanto, o banco deixou claro que qualquer medida de recomposição do capital só será considerada após a conclusão de auditorias independentes e análises detalhadas conduzidas pelo Banco Central.
“Eventuais ações para recomposição de capital serão avalizadas somente após o término das auditorias e análises do Banco Central”, afirmou o banco, reforçando seu compromisso com a transparência e solidez financeira.
Medidas e Planos Futuramente Discutidos
A instituição ressaltou que, caso seja necessário, dispõe de um plano detalhado para proceder com a recomposição de capital e que eventuais aportes do acionista controlador, no caso, o governo do Distrito Federal, não prejudicarão recursos destinados às políticas públicas.
Ainda na nota, o banco destacou que, mesmo diante do cenário desafiador, suas operações continuam normalmente e que qualquer informação divulgada de forma não oficial deve ser considerada especulativa e sem respaldo dos dados financeiros atuais.
Ação do Governo Federal e Esclarecimentos Sobre Capital
Mais cedo, o Ministério da Fazenda emitiu uma nota oficial negando quaisquer tratativas com o governo do Distrito Federal ou o BRB relacionadas a um aporte imediato de recursos financeiros. Essa afirmação buscou esclarecer rumores de que o ministro Fernando Haddad teria cobrado prazos para um possível socorro ao banco estatal.
“O Ministério da Fazenda não manteve conversas com o Distrito Federal ou com o BRB acerca de necessidade de aporte imediato, sob risco de intervenção”, destacou o comunicado oficial.
Embora as discussões técnicas com o Banco Central tenham ocorrido no acompanhamento do caso, a Fazenda preferiu não comentar detalhes dessas conversas, mantendo o foco na ausência de decisão de socorro financeiro urgente.
Investigações, Auditorias e Balanço Financeiro
O BRB informou que os valores referentes a possíveis prejuízos ainda estão sob apuração por parte de uma auditoria independente e do Banco Central, o que explica a ausência de divulgação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2024.
“As operações relacionadas à crise estão incluídas em investigação forense conduzida por um escritório independente, com acompanhamento das autoridades competentes”, declarou o banco, reafirmando que está operando normalmente e que qualquer dado não oficial divulgado é meramente especulativo.
Relações Conturbadas com o Banco Master
O problema principal do BRB esteve relacionado à crise do Banco Master, envolvido em investigações por supostas fraudes em carteiras de crédito. Segundo informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que ainda passam por avaliação.
Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões na operação, por meio de compra de cotas de fundos de investimento e outras operações financeiras realizadas ao longo de 2024 e 2025. Essas operações ampliaram a exposição financeira do banco, gerando preocupação sobre o impacto futuro em sua saúde financeira.
Problemas de Enquadramento Regulatório e Medidas do BC
As operações envolvendo o Banco Master fizeram com que o BRB violasse temporariamente limites prudenciais estabelecidos pelo Banco Central. Durante janeiro e fevereiro de 2025, o banco ficou abaixo dos limites exigidos, levando à determinação do BC para limitar novas aquisições de ativos e desenvolver um plano de resolução em até seis meses, contado a partir de outubro do ano passado.
Apesar desse cenário, o banco reforçou que o governo do Distrito Federal tem potencial para ampliar sua capacidade de intervenção, aumentando as possibilidades de manutenção da estabilidade. Contudo, o BRB declarou que, até o momento, não recebeu orientação formal do Banco Central para realizar aportes de emergência.
Considerações Finais e Expectativas
A situação do BRB permanece sob fiscalização rigorosa, com uma atenção especial às investigações em andamento. Com a avaliação de prejuízos por auditorias independentes e a análise dos relatórios do Banco Central, o banco estatal busca assegurar sua estabilidade financeira enquanto navega por um cenário de crise envolvendo contratos e operações fraudulentas no Banco Master.
As próximas semanas serão cruciais para a definição de estratégias de recuperação do banco, que pode incluir venda de ativos, reestruturação de suas operações, ou eventuais aportes futuros, alinhados às recomendações regulatorias e às decisões do governo.


