Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master
O Banco Central oficializa a liquidação do Will Bank, Controlada pelo Banco Master, após impedimentos nos pagamentos e problemas financeiros graves.
Resumo da Notícia
O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master, após descumprimento de pagamento e crise financeira. Medidas incluem bloqueio de bens e investigações sobre suspeitas de fraudes.

Banco Central oficializa liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master
Introdução
Na quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, o Banco Central do Brasil anunciou oficialmente a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, uma instituição financeira controlada pelo conglomerado Banco Master. A medida foi adotada após um período de administração temporária e uma série de dificuldades enfrentadas pela instituição, que culminaram na impossibilidade de manter suas operações normais e no descumprimento de obrigações financeiras essenciais.
Contexto e histórico da liquidação
Operações sob Regime Especial e a decretação da liquidação
Desde novembro do ano anterior, a Will Bank vinha operando sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET), uma medida emergencial adotada pelo Banco Central para tentar estabilizar a situação financeira da instituição. No entanto, após uma análise detalhada, o Banco Central decidiu que essa intervenção não foi suficiente e que a única alternativa adequada era a liquidação extrajudicial do banco.
Medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens
Como parte do processo de liquidação, o BC determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição, que faziam parte do conglomerado financeiro controlado pelo Banco Master. Essa ação visa evitar que os responsáveis possam dilapidar ativos, dificultando o ressarcimento dos clientes e o cumprimento dos deveres fiduciários durante o procedimento de liquidação.
Reforço na proteção aos clientes
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) anunciou que iniciará o pagamento aos clientes do Banco Master que possuam valores de até R$ 250 mil, garantindo assim uma proteção mínima aos pequenos investidores prejudicados pela crise. Além disso, a imprensa e órgãos reguladores destacaram a importância de acompanhar as próximas etapas da liquidação e das investigações relacionadas às operações do grupo.
Informações adicionais e contexto do controle do conglomerado
Participação e impacto do Banco Master no Sistema Financeiro Nacional
O Banco Master, liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, tinha uma participação modesta no sistema financeiro: representava cerca de 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Apesar do tamanho relativamente pequeno, o banco adquiriu notoriedade por suas estratégias de crescimento agressivo, principalmente na oferta de Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade superior à média do mercado.
Crescimento agressivo e riscos elevados
Segundo especialistas, o crescimento acelerado do Banco Master foi sustentado por ações que envolveram alto risco. O banco passou a assumir operações que inflavam artificialmente seu balanço patrimonial, enquanto sua liquidez se deteriorava rapidamente. Assim, o modelo de negócios baseado em riscos excessivos e operações de fachada culminou na crise atual.
Suspeitas de fraude e envolvimento com fundos suspeitos
Investigações conduzidas pela Polícia Federal, em conjunto com relatórios do Banco Central, apontam que o colapso do Banco Master vai além de uma crise financeira comum, refletindo uma crise institucional e de governança. Há suspeitas de fraudes envolvendo a conexão com a gestora Reag Investimentos, com a qual o banco realizou triangulações financeiras suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024.
As operações ilícitas envolviam empréstimos a empresas de papel, conhecidas como “laranja”, que aplicavam os recursos em fundos geridos pela Reag, adquirindo ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflacionados. Esse esquema resultou na identificação de seis fundos da Reag, cujo patrimônio conjunto atingia R$ 102,4 bilhões.
O que levou à liquidação
Problemas no pagamento e bloqueio dos cartões Mastercard
A crise se aprofundou após a Will Financeira descumprir a grade de pagamentos junto ao arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos. Como consequência, houve o bloqueio da participação do banco nesse arranjo, situação que agravou a crise de liquidez e a incapacidade de cumprir suas obrigações financeiras.
Decisão do Banco Central
“Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira”, declarou o Banco Central.
Contudo, após avaliar a situação, a autoridade monetária concluiu que essa estratégia não foi suficiente. Foi constatado que a Will Financeira entrou em grave descumprimento, o que tornou inevitável sua liquidação extrajudicial devido à insolvência e ao comprometimento de sua situação econômico-financeira.
Análise do caso e possíveis desdobramentos
Contexo do controle pelo empresário Daniel Vorcaro
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, ganhou notoriedade por oferecer CDBs com altas taxas de retorno, captando recursos de investidores que acreditavam na solidez do banco. Porém, essa estratégia acabou por criar uma bolha de risco, aumentando a vulnerabilidade do grupo frente às demandas financeiras.
Impacto nas investigações e desfechos futuros
As investigações apontam que o caso do Banco Master e seus fundos suspeitos revelam uma complexa trama de fraudes financeiras que envolve triangulações de recursos, manipulação de ativos e possíveis crimes contra o sistema financeiro. Devido à proximidade das ações de controle e às consequências para investidores, espera-se que o desdobramento dessas investigações traga uma maior fiscalização para o setor financeiro.
Considerações finais
A liquidação do Will Bank representa um capítulo importante na crise enfrentada pelo conglomerado controlado pelo Banco Master. Além de evidenciar os riscos de modelos de negócios excessivamente agressivos e a fragilidade de operações de alta alavancagem, o caso reforça a importância de uma fiscalização contínua e rigorosa por parte do Banco Central. Assim como as medidas de proteção aos clientes, as investigações continuam, e novos desdobramentos podem ser esperados nos próximos meses.
Redação Perto de Você
Equipe de redação do Perto de Você.





