Perto de Você
pertodevoce.me
|
NotíciasEmpresasQuem Somos
EntrarCadastrar
|GeralPolíticaEconomiaEsportesCulturaTecnologiaAnuncie sua empresa
Início
Buscar
Empresas
Notícias
Conta
Home
Notícias
Saúde
Como a produção de vacinas pela Fiocruz fortaleceu o SUS e ampliou a autonomia do Brasil
Saúde
Voltar para Saúde
Saúdehá 3 meses

Como a produção de vacinas pela Fiocruz fortaleceu o SUS e ampliou a autonomia do Brasil

Conheça o legado da Fiocruz na produção de vacinas contra Covid-19, fortalecendo o SUS e impulsionando a pesquisa e autonomia nacional.

R

Redação · Perto de Você

há 3 meses41min de leitura

Resumo da Notícia

A atuação da Fiocruz na pandemia de Covid-19 resultou na produção de vacinas nacionais, fortalecendo o SUS e elevando o Brasil a destaque global em imunobiológicos. Conheça os impactos e avanços do instituto.

Como a produção de vacinas pela Fiocruz fortaleceu o SUS e ampliou a autonomia do Brasil

Como a produção de vacinas pela Fiocruz fortaleceu o SUS e ampliou a autonomia do Brasil

Introdução

No cenário global de enfrentamento à pandemia de Covid-19, o Brasil marcou uma conquista significativa ao produzir, de forma autônoma, vacinas contra o vírus que assolou o mundo a partir de 2020. Um marco histórico ocorreu em 8 de dezembro de 2020, quando Margaret Keenan, uma cidadã britânica, tornou-se a primeira pessoa fora de ensaios clínicos a receber a vacina contra a Covid-19, um momento que simboliza a velocidade e eficiência de uma mobilização internacional e nacional pela imunização. Essa agilidade, inicialmente questionada por setores que espalhavam desinformação, na verdade refletiu uma resposta global coordenada e um avanço científico consolidado, como afirma Rosane Cuber, diretora do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

A resposta rápida e seu significado

A velocidade com que as vacinas foram desenvolvidas e disponibilizadas é fruto de uma mobilização enorme e de um legado de pesquisa acumulada ao longo de anos. Segundo Rosane Cuber, "elas só passaram por uma adequação, não surgiram do nada. Muito conhecimento técnico e científico foi aproveitado para o desenvolvimento ágil das novas vacinas".

Durante a pandemia, Rosane foi vice-diretora de qualidade em Bio-Manguinhos, responsável por importantes ações de produção e inovação. O instituto foi essencial na transferência de tecnologia e na adaptação de plataformas de vacinas de RNA e vetor viral, já estabelecidas em anos anteriores, para o combate à Covid-19. Essa preparação permitiu uma resposta rápida às necessidades emergentes, consolidando a capacidade nacional de produção de imunizantes.

A mobilização e a parceria internacional

O esforço do instituto começou já em março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia. Nesse período, a Bio-Manguinhos implementou a produção de testes diagnósticos para o vírus. Paralelamente, um grupo de pesquisa da instituição iniciou a busca por vacinas em desenvolvimento que pudessem ser adaptadas ao Brasil, por meio de contratos de transferência de tecnologia.

Em agosto de 2020, começaram as negociações com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca para a importação do imunizante, o que exigiu modificações internas na Bio-Manguinhos. Para viabilizar a transferência de tecnologia, foi necessário construir uma estrutura jurídica que facilitasse a adaptação de uma vacina ainda em fase de desenvolvimento. Durante esse período de intensas negociações, a equipe do instituto concentrou seus esforços para que todos os setores trabalhassem com foco exclusivo na meta de trazer a vacina para o Brasil, o que exigiu treinamentos diários e uma mobilização social e institucional significativa.

A gente conseguiu porque nós paramos todas as outras atividades do instituto. Os grupos todos se voltaram para esse único objetivo de trazer a vacina, com muitos treinamentos diários", diz Rosane.

Adicionalmente, a mobilização da sociedade civil foi fundamental para facilitar a aquisição de equipamentos e insumos, essenciais no processo de transferência de tecnologia e produção.

A chegada e a produção da vacina Oxford/AstraZeneca

A primeira remessa da vacina Oxford/AstraZeneca, com 2 milhões de doses prontas, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, poucos dias após a aprovação de uso emergencial pela Anvisa. A partir de então, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos começou a aplicar o imunizante no Programa Nacional de Imunizações em 23 de janeiro de 2021. Essa aquisição foi um marco importante na estratégia de imunização do país, oferecendo uma alternativa eficaz contra o vírus e fortalecendo o sistema público de saúde.

Após essa fase inicial, sobretudo a partir de fevereiro de 2021, o foco passou a ser a produção nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina. Enquanto o Brasil passou a fabricar internamente essa matéria-prima, o instituto assumiu tarefas relacionadas ao envase, rotulagem e controle de qualidade do imunizante, garantindo a autossuficiência no processo. Essa etapa foi fundamental para ampliar a capacidade de produção e suprir a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), além de reduzir custos e dependência de importações.

Capacidades do instituto e sua importância no cenário nacional

Segundo Rosane Cuber, "Todo esse processo foi possível devido às capacidades que Bio-Manguinhos já possuía, como principal laboratório público de desenvolvimento de vacinas do Brasil." O instituto possui vasta experiência na produção de imunizantes e uma estrutura instalada que permitiu a rápida adaptação às necessidades da crise sanitária.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanhou e aprovou cada etapa do processo, reforçando a segurança e a qualidade das vacinas produzidas internamente. Essa experiência consolidou o Brasil como um país capaz de produzir suas próprias vacinas, reforçando sua soberania na saúde pública.

Legado da produção nacional de vacinas

A produção da vacina contra Covid-19 por Bio-Manguinhos deixou um importante legado para o SUS e para o Brasil. Com o fim da pandemia, a produção foi interrompida, uma vez que novas vacinas mais modernas foram adquiridas e utilizadas pelo governo. Contudo, o imunizante produzido pelo instituto foi o mais utilizado no Brasil em 2021, ano em que a imunização começou. Especialistas estimam que essa campanha salvou aproximadamente 300 mil vidas apenas no primeiro ano de vacinação, demonstrando o impacto positivo da iniciativa.

“Só o fato da gente ter conseguido contornar e bloquear a Covid no Brasil já é um legado. Além disso, esse processo nos deixou qualificados e com a estrutura fabril pronta para outros produtos essenciais ao SUS”, afirma Rosane.

Novas fronteiras e o futuro

A experiência adquirida durante a pandemia impulsionou novas iniciativas, como a pesquisa para o desenvolvimento de uma terapia avançada contra a atrofia muscular espinhal (AME), uma doença degenerativa e rara que causa perda muscular severa. Essa terapia, baseada em plataforma de vetor viral similar à utilizada na vacina de Oxford/AstraZeneca, já está em fase de estudos clínicos, com autorização da Anvisa para início ainda neste ano, e promete reduzir custos no tratamento de uma doença que chega a custar R$ 7 milhões por paciente.

Além disso, a Bio-Manguinhos iniciou testes em humanos de uma vacina contra Covid-19 utilizando a plataforma de RNA mensageiro, tecnologia utilizada pela Pfizer e Moderna. Essa iniciativa nasceu do estudo prévio dessa plataforma no combate ao câncer, que ganhou maior destaque durante a pandemia, abrindo novas possibilidades de uso.

“Covid é um vírus que veio para ficar. Se produzo essa vacina nacionalmente, reduzo o preço, e tenho soberania”, reforça Rosane, evidenciando o potencial de autonomia e inovação do Brasil na área de imunobiológicos.

Reconhecimento internacional

O desempenho do laboratório da Fiocruz durante a pandemia elevou sua projeção global. Bio-Manguinhos foi selecionada como um dos seis centros no mundo pela Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), para atuar como centro de produção e desenvolvimento de vacinas em futuras crises sanitárias na América Latina. Além disso, foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como hub regional para desenvolvimento de produtos com a tecnologia de RNA mensageiro, reforçando a posição do Brasil na pesquisa e inovação em saúde pública.

Conclusão

O esforço conjunto de pesquisadores, instituições e sociedade civil durante a pandemia mostrou que, com capacidade instalada e articulação, o Brasil pode não apenas enfrentar crises, mas também consolidar sua autonomia tecnológica e científica. Como destaca Rosane Cuber, “O nosso objetivo não é o lucro, mas fazer entregas para a sociedade. Tudo isso reforça a importância de uma política de saúde pública sustentada em pesquisa e produção locais.” Essa experiência deixa um legado duradouro, fortalecendo o SUS e preparando o país para futuras emergências de saúde.

Saúde

Redação Perto de Você

Equipe de redação do Perto de Você.

Mais Lidas

1

Mano Menezes assume comando da seleção peruana de futebol por quatro anos

há 3 meses
2

Aumento das Tensões Entre EUA e Irã Amplia Incertidumbre no Oriente Médio e Impacta Mercado de Petróleo

há 3 meses
3

Presidente Lula participa do Fórum Econômico Internacional em Panamá e fortalece relações na América Latina

há 3 meses
4

Vacinação contra febre amarela: quem tomou dose fracionada em 2018 deve procurar UBS para completar o esquema

há 3 meses
5

Brasil garante proteção legal à propriedade intelectual e direitos de mídia para a Copa do Mundo Feminina 2027

há 3 meses

Newsletter

Receba as notícias mais importantes diretamente no seu email. 100% gratuito.

Notícias Relacionadas

Vacinação contra febre amarela: quem tomou dose fracionada em 2018 deve procurar UBS para completar o esquema
Saúdehá 3 meses

Vacinação contra febre amarela: quem tomou dose fracionada em 2018 deve procurar UBS para completar o esquema

27min
Caminho pioneiro: início da vacinação contra dengue com vacina do Butantan em Botucatu
Saúdehá 3 meses

Caminho pioneiro: início da vacinação contra dengue com vacina do Butantan em Botucatu

32min
Rio de Janeiro amplia pontos de vacinação contra sarampo, covid-19 e gripe até 12 de fevereiro
Saúdehá 3 meses

Rio de Janeiro amplia pontos de vacinação contra sarampo, covid-19 e gripe até 12 de fevereiro

18min
Governo anuncia vacinação de profissionais de saúde contra dengue com vacina brasileira de dose única
Saúdehá 3 meses

Governo anuncia vacinação de profissionais de saúde contra dengue com vacina brasileira de dose única

33min
Anvisa recolhe produtos decorativos com glitter e plástico por contem substâncias não autorizadas
Saúdehá 3 meses

Anvisa recolhe produtos decorativos com glitter e plástico por contem substâncias não autorizadas

19min
Ministério da Saúde lança módulo de monitoramento para acompanhar a saúde de crianças indígenas
Saúdehá 3 meses

Ministério da Saúde lança módulo de monitoramento para acompanhar a saúde de crianças indígenas

24min
Ver Mais de Saúde